Arquibancada
Eu jogava basquete e ficava meio envergonhado com o barulho que meu pai fazia na arquibancada. Um dia ele cansou (por cansar mesmo, depois eu entenderia) e parou de ir aos jogos. Um dia eu também cansei e parei de jogar.
Ao contrário do meu pai, que em certo momento tocou, continuei protagonista. A minha idéia de protagonismo é mais ou menos a da sarna pra se coçar, lambanças, uivos pra lua, sangue, suor & lágrimas, mais o velho epicurismo de araque e toda sorte de num-seis. Histórias pra contar pro boi, enfim.
Meu filho vai fazer dez anos e joga bola. Bola futebol. Não sei se vai jogar basquete, se vai voltar pro judô ou se vai entrar no tênis. Só sei - traço herdado? - que é ótimo envergonhar os pirralhas.
Recomendo fortemente.
Mas abra os olhos, que ver os filhos jogando é como os pais se acostumam a ver a vida passar.
Vou voltar pr'as minhas panelas. :p


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