From Me to You
Ficou sem entender o título do post abaixo, né? Além de ser bonito, tem uma explicação, claro que tem. Nos anos 60 e 70 as bandas fodonas costumavam usar títulos de músicas lançadas em discos anteriores pra batizar os seus lançamentos, mas a explicação não é esta.
Sim, estou jogando conversa fora...
Comecei a escrever aqui pouco depois de vir morar em Arara com Caju. Acreditava - no fundo - que escrevia pra mim mesmo (a gente sempre é menos cliché do que pensa que é?). Engano hoje amplamente admitido: sempre houve um interlocutor (ou vários) previamente escolhido(s), fosse de forma aberta, consciente, ou não. Nos últimos tempos, talvez depois de explodir e juntar os cacos do Tatá Records, postei pra ninguém. Nem pra mim, nem pra você. Colocar apenas músicas era nada mais que atestar a respiração, songs in the key of life.
Hoje, ou há dois, três posts, estou novamente enxergando quem me lê, e estou cuidando pra que me leia e não precise dizer nada depois. A Internet continua emocionante, especialmente quando não se vai longe demais dentro dela. Pra isto existem as voltas no outro lado, enquanto as colored girls dizem doo doo-doo doo-doo. Às vezes me sinto voando online; pela praticidade, pelos contatos, pela leitura a granel, pelas toneladas de troços que procuro e encontro, pelo meu diário fragmentado em e-mails e blogs diferentes. Não que o que esteja escrito aqui, na rede, tenha mais valor. A diferença é a presença, o abençoado antônimo de todas as ausências. Aqui sente-se fácil a alma, o mojo do próximo (hehehe sai pra lá). Ok, de alguns próximos. São poucas pessoas, é bem verdade, que podem ser tocadas via escrita. Craro, não é o toque zumbi, automatic for the people, de mensagem encaminhada, nem outros toques edificantes, de mundo melhor etc. É o toque que dá as três dimensões à mão e lhe permite uma outra, extra, que chamamos de quarta, o indizível.
Tudo o mais na rede pertence ao inevitável mundo cão.
(hahahaha será que alguém ainda acredita em exageros nesse mundo?)
Disse que saio de alguns shows querendo montar uma banda. Às vezes saio de casa querendo impor ao mundo coisas daqui. É engraçado ver o que se encaixa e o que não tem nada a ver.
Tentarei fazer isso amanhã, no começo do dia. Depois serei, como você, tragado pela semana. E aí, até um outro dia.


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