Mehr licht

Preocupante: pensamento que me vem mesmo sóbrio: o homem cria com o intuito primeiro de provocar algum efeito no próximo (um dã e um biscoito canino para mim): e quanto mais efeitos planeja, menos efeito provoca: arte não parece, mas é coisa de bicho, bicho: instinto até o talo: por isso nunca creio no mérito de quem cria: quando o negócio é bom, o criador é um abilolado em grau avançado, inútil em algum aspecto muito importante da vida, que nem é tão importante assim, apesar dos muitos aspectos importantes. Quando o criador é legal, a obra é uma merda.
Acerta-se errando o alvo, em suma.
Posso imaginar, portanto, que os criadores deste filme queriam chapar o mundo de luz estourada e fim de papo, a experiência já valeria a pena.
Diz-se que da luz se cria tudo. Verdade. Duvido que os criadores deste filme o tenham imaginado como um pêndulo que se move por estímulos contrários e equivalentes: opulência e miséria, lá e cá, guerra e paz, desterro e provincianismo, caronas e mesquinhez, cinema e notícias do mundo, nostalgia e futuro, comida enlatada e bode assado, fado e sorte, resignação e teimosia. Foi a luz quem criou tudo.
Bem sei que meus antagonismos estão meio tortos, mas cheguei ao final deste filme assim conduzido, pé ante pé, uma personagem depois da outra, Johan, Ranulpho, Johan, Ranulpho...
Agora, se os criadores deste filme intentaram produzir esse(s) efeito(s), é justo mudar seu título para Cinema, Aspirinas e o Cão Chupando Manga.


0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial