O Fim do Homem Cordial
A gente também sabe fazer malvadeza...
O Fim do Homem Cordial, curta-metragem criado e dirigido pelo baiano Daniel Lisboa é o que de melhor o cinema brasileiro pode oferecer: curta duração, um grande título e visão política extremista. Nesta ficção, a vítima é Antônio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza. Lisboa, 26 anos, surrupiou imagens da TV Bahia, controlada por ACM, e as editou no formato de um noticiário em falso árabe, com legendas em português. Em cena, Casemiro Neto, espécie de Boris Casoy soteropolitano, anuncia constrangido o seqüestro do painho-mór e introduz o espectador a um vídeo gravado pelos terroristas, no estilo Al-Jazeera: encapuzados humilhando a vítima e vociferando contra o Mundo Livre. No final, Casemiro se despede, enquanto os créditos sobem ao som do pop árabe. Tudo, de rolar de rir.
A idéia do filme lembra Resgate Cultural, escroto e surreal seqüestro de Ariano Suassuna, então administrador de uma política cultural tacanha em Pernambuco. Igualmente brigão, Resgate era também muito engraçado, talvez até mais: Ariano era interpretado por ninguém menos que Quéops Negão. Hahahaha
Metafísica trocadilhesca pura, bicho.
Vale a pena ler a resenha de Kleber Mendonça no Cinemascopio, em especial o trecho sobre a censura feita ao filme na Bahia e a perseguição a Daniel Lisboa e simpatizantes dos seus dois minutos e pouco de som e fúria (e gréia).
Endereço: http://www.soononmoon.org/cineaum/FHC.mpg
P.S.: Se você digitar "O Fim do Homem Cordial" no Google, encontrará em primeiro lugar este link, cujo texto afirma que FHC "ora opta pela inteligência, ora cai num discurso fácil e datado".
Porra, e tu queria o que?, o discurso difícil e contemporâneo de V? :p


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