Ginkgo Biloba
Claro que aquela capa me atrairia. Um quadrado vermelho dentro de uma moldura roxa, a palavra sexo em letras enormes e o título 'Combustível Para o Fogo'. Puxei o vinil e pedi pra colocarem na agulha. Não lembro se foi na Vinil ou na Discossauro, nem mesmo se foi na Rua Sete de Setembro. Só lembro que comprei o disco assim que começou a tocar "Faca", uma baladona radioheadiana muito antes dos próprios desatarem a fazer baladas radioheadianas. Lembro de ter pensado na hora: meu deus, se Paulo Ricardo ouve essa música, fodeu, hein...

O disco tinha toneladas de sons surpreendentes, instigantes, taquicinéticos, puxados pela guitarra de John - em sua melhor forma - e pela cantoria desenfreada e astuta de Rubinho Troll. Baixo e bateria também eram foda. Tudo era foda. Eu era doido pelas letras deles, mesmo quando fui pro lado negro e passei a achar letra de música a pior merda do mundo. O que continuo achando, embora com todo carinho.
O disco repousa ali na estante, bonito como sempre, e eu continuo achando "Cuidado com Nixon" uma das melhores músicas pop do Universo.
Não há nada em formato sonoro na internet, nem um mísero arquivinho. O único registro desses mineiros fodões que tenho em mp3 é parte do tributo cabeça a Arnaldo Baptista, Sanguinho Novo, lançado no mesmo ano de Combustível Para o Fogo.
O Sol - Sexo Explícito
(Sanguinho Novo - Arnaldo Baptista Revisitado - 1989)
Afinal, a moldura não é roxa, é grená.


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