sábado, maio 13, 2006

John decadente

Tá lá entre as obrigações da nossa mente animal: comer as coisas no tempo certo das coisas; maduro igual a doce, suculento, perfume doce igual a maduro etc. Evita o veneno, evita a dor de barriga, evita a podridão, sabe-se lá o que mais. Deixa o que tá verde amadurecer, deixa o que tá por demais maduro pros vermes da terra. Calma, que não estou apocalíptico (ao invés, escuto Grace Jones cantando La Vie en Rose e quero ser Gianni Agnelli ao leme, no mediterrâneo, filmado com as lentes chapadas de sol dos anos 70, mas sem echarpe, porra - pense 'porra' com a voz de Paulo César Pereio), intento tão somente expressar meu apreço por artistas passados do ponto, quase podres, caídos ao chão, prontos pros vermes. Se o auge de Robertão vai até 1972, prefiro o disco de 73. Se há um Revolver, um Sargent Pepper, um White Album, creia que nunca mais vou parar de ouvir Abbey Road. Por isso é tão simples, fácil, direto gostar da discografia inteira de Serge Gainsbourg: antes de gravar o primeiro disco Serge era um cara promissor.
Tim Maia Racional é fuderoso? Goze com Tim Maia 1976. Ou com Solta o Pavão, que veio depois da Tábua de Esmeraldas. Depois os vermes realmente comeram Jorge.
O auge é o auge, fique claro que não se mexe com absolutismos (haha), só que o auge não tem Drama. A decadência tem.
E na decadência o cidadão sabe fazer tudinho que sabia fazer no ápice, é até repetitivo nisto. Base pronta, linha de produção, mantra de uma nota só: sobra todo o tempo pro Drama.
Oh, eu queria escrever esse post há tanto tempo. Vermes gostam de drama. Comem o drama. É preciso chegar ao drama antes dos vermes. Os vermes já tinham comido Tim Maia em 1985, Jorge quando virou Benjor, já tinham comido Robertão em 1979 etc. Entende a urgência?
Não.
É a vida.
Se entende perde a graça.
Ou a fome.



Oh My Love - John Lennon

(Imagine - 1971)

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