Roma
Tudo que tenho lido aponta invariavelmente para uma mesma direção. Não imagino qual, embora continue. Tenho a dúvida quanto a pertinência em enxergar uma direção comum em boa parte do que observo ou - opção mais sensata - se não adapto tudo que observo à minha mesma visão ciclópica (usar a palavra ciclópica em plena quarta-feira deveria ser o suficiente - numa realidade mais justa - para materializar um bar com cerveja de garrafa e amendoim torrado aqui e agora).
Fico com a opção mais sensata: deve ser efeito colateral do inevitável modelo do conto do pára-raio, no qual um homem passa metade de uma vida estudando pára-raios, de modo que passa a outra metade associando qualquer assunto, qualquer situação a aparentemente infinita seara temática dos pára-raios. Dos modos mais ninjas possíveis, é evidente, mas o sujeito sempre consegue, como, por exemplo, no impressionante parágrafo que começa sob uma discussão dos insconstantes humores femininos, passando pela previsibilidade das marés lunares, daí à velocidade decrescente de rotação da Terra, ao Apocalipse, aos efeitos deste sobre o formato das nuvens e, finalmente, aos pára-raios, quando nosso herói desencava referências bíblicas a esta invenção aparentemente moderna.
Mesmo que eu fique com a opção sensata, não me livro da dúvida. O foco dos meus "estudos" terrenos é meio indefinido pra mim, sei que por mais que seja óbvio dizer que é a música, garanto que não é. E nem eu mesmo, homem de fé, irmão, camarada, absolutamente crente em um quaste-tudo no mundo, jamais levei a sério essa pretensão, que - oh, ninguém nunca percebe - sempre esteve carregada de gréia, é o meu humor, e sinto muito (ok, nem tanto) se o bicho é obscurescência pura. Acho engraçado criptografar, acho engraçado quando ninguém entende. Cara de pastel é a melhor cara. Talvez o lance da semelhança, do semelhante. Não há cara de pastel maior no mundo que a minha, de quem não tá entendendo nada. Se você não entende nada, cantamos juntos numa só voz, entende.
Pois bem, pretensões musicais de lado, o que resta? Pode ser que adiante citar os nomes dos livros, mesmo sem lembrar de todos. Tentarei, hohoho, não ria: Boêmios, A Mulher do Próximo, Noites Tropicais, Eu Não Sou Cachorro Não, Mate-me por favor, Proust e a Fotografia (ainda lendo), Como o Futebol Explica o Mundo, O Mistério do Samba (ainda lendo), as crônicas de Bob Dylan (ainda lendo), Divertimento, Fama & Anonimato, Paraísos Artificias, O Castelo de Axel, Por Um Punhado de Gitanes, os poemas de Prévert e a Arte de Viajar (leitura interrompida, lerei depois). De alguns esqueço, os outros não apontavam nessa tal direção, e não são nem tantos assim, que nem daria tempo.
Tô sem pressa, não vou tentar nada. Apenas continuo.
Aceito pitacos.


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