Saldo de Aratu
Começarei com uma frase meiga: o negócio tá ficando grande demais.
S. Prefeito, D. Prefeita, vamo deixar esse negócio de apoteose pro carnaval dos outros. Vamo voltar à velha forma e botar a turistada pra correr. Bater record é coisa de mané, receber bem é coisa de viado. Chega de haoles na Sala de Justiça e no Acho É Pouco. Chega de galega do meu tamanho e gringo fedorento querendo cirandar. Chega de carnaval bonitinho.
Vou acender uma vela pra Rede Globo, que encheu a bola do espetacular carnaval de São Paulo. Hahahaha
Benditos sejam os editores da Rede Globo, que só mostram a mesma esquina de Olinda, os mesmos bonecos, os mesmos malas e a mesma Vassourinhas. \o/
A Globo tá comigo. Jean Marie Le Pen também. O carnaval de Recife e Olinda é pros recifenses (considerando que nunca conheci ninguém que nasceu no Tricentenário, única maternidade de Olinda).
Bendito seja o frevo, que é o Terry Reid, o Gong do Carnaval: nunca vai dar certo. Pelo menos do jeito que os divulgadores da pernambucanidadje querem. hohoho
Apesar das invasões bárbaras, foi do caralho.
Não vi metade dos shows, nem fui atrás de todos os blocos, peguei a gripe fuderosa de sempre e queimei roxamente os ombros, que caem em lascas neste momento.
Mas o script resultou lindo.
Pablo foi iniciado na arte de segurar o pau do Dragão. S. Alfredão, que me conduziu ao momento mágico ainda nos anos 80, também teve sua cota de movimentar o grande réptil. Eu só fiquei vendo e tangendo os dois. Agora sou o diplomata da família. Hahaha
A Banda de Pau e Corda. Putaquepariunóstodos. Há mais ou menos um ano escuto o disco de 76 todos os dias, o que tem os frevinhos evocativos. Então os caras aparecem depois do show empireumático do Eddie (minha banda local preferida desde sempre) e tocam as músicas do disco amado. Rapaz, foi tão bom. Mesmo todo mundo indo embora depois do Eddie, só restando a minha pessoa foliã, outras nove almas acho-é-pouquistas e todos os maloqueiros do universo brilux. Algum pânico. Mas a torcida do Santa (que perdeu hoje de um time de RONDÔNIA) é ainda mais sinistra. Foi a mensagem que transmiti aos homens e mulheres de pouca fé.
O mais belo show do carnaval.
O Quanta Ladeira é uma merda. Qualquer um faria aquilo e melhor. Mas como ninguém se dignou a fazer (ou conseguiu uma exposição dessas) até então, fica aqui meu muito obrigado de coração aos caras, que afugentaram meus pais com um "furico para quem precisa/ furico para quem precisa de furico" e se tornaram ídolos imediatos do meu filho. O assombro dos bichinhos e a guinada rumo ao Bloco da Saudade será paratodosempre inolvidável.
Enquanto Isso, na Sala de Justiça: quarto ano seguido à paisana, o ano (dos onze) mais quente, gente pra caralho, haoles a dar com o pau, uma infeliz camisa regata e a lembrança de um filtro solar esquecido na mala.
Daqui pra frente tudo vai ser diferente.
Jamais saberia - pelas minhas fontes de quinta categoria - do Mundo Livre e da Nação Zumbi no Marco Zero.
Vi os shows pela TV, tendo que aturar um tal de Zé Mário, da TV Universitária, monstro como ele só, pedindo pra zeroquatro tocar um frevo e se desculpando com os telespectadores pela programação roquista. Ei, Zé Mário, vai tomar no cu.
Felizmente tinha um bis dos zumbis na Praça do Carmo, eterno templo brilux. Arrupiei tanto que fiquei com febre. Ormocionante até as últimas lágrimas.
Proponho uma prévia do Eu Acho É Pouco todo sábado e uma andada do Largo de São Bento até o Carmo todo domingo. Acho muito pouco.
A sauna hemp dentro do Dragão me deixou clarividente.
Abrir a praça de alimentação do Paço Alfândega foi idéia de gênio de wall street. O polvo ficou feliz e os empreendedores também.
Muito embora o melhor fosse o ar-condicionado e o saguão do térreo, onde tudo era free.
Perdi quase tudo do Instituto e seu show Tim Maia Racional. Dizem que foi o melhor.
Acho que a Livraria Cultura - ao lado do palco - perdeu uma grande oportunidade de vender O Livro durante a apresentação.
Empreendedores caretas.
Depois voltamos pra resina e pra goma, lá na Planície Racional.
Cada bloco melhor que o outro.
Dados estatísticos: apenas 1 (um) de seis maracatus que colidiram com um bloco resistiu ao abafa. Naturalmente, era um de baque solto.
É a póiva. Hahahaha
Enquanto o Monobloco não vinha, a orquestra de Spok chamou Gal Costa pra fazer uma horinha. Pense num susto da porra. Não pelo turbante, foi pela presença dela mesmo. Eu não sabia.
E Gal é foda, viu. 20 litros de café no bule. Desenterrou até Frevo de Orfeu.
Rolou uma epifania, seguida de levitação em pleno Marco Zero.
Chega cansei.
Hey, vagas de estacionamento, vão tomar no cu.
Putz, teve o sushi que Kekulé preparou. Com Moscatel de Salvador Poveda e tudo mais.
Arrependo-me pelos anos em que fui envergonhado à mesa.
Não fui em um show no MAC sequer. Continuo sem saber se foi lá mesmo.
Também perdi Tom Zé. Ele sabe que não gosto de novidade. Veio com disco novo porque quis.
Novos sabores de sorvete que acrescentei ao meu léxico de verão: cocada*, sirigüela e tapioca*. Ainda vou cobrir todo o menu da Sorveteria Bacana.
Tem mais, mas eu não lembro. ;o)
*Acredite: ambos são incrivelmente... ahn... bacanas. :p


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