Engole Fôlegos
O arco de tensão que já conhecemos: clique next blog para que eu comece. Tensão nenhuma, graça. Ou antes zelo com a personalidade da introdução. Perceba que a coisa toda se arma e não dispara. Foi como me peguei preferindo a disciplina de cosméticos: fica tudo na superfície. Baixos teores, entende? A Bizz voltou, definitivamente. A revista de música que sempre trouxe uma coisa boa para cada quatro porcarias está de volta, testemunho da imortal adolescência do ser ouvinte, veio este mês com entrevista e discografia de Moacir Santos, boniteza que faz da nova edição uma pechincha. Mas cuidado que tem o disco novo do Korn e muito gás hélio. Os Cantos de Maldoror (será possível respirar sem as referências? Não. Não, nunca. Nunca) podem e devem ser lidos de trás pra frente. A frente não precisa nem ser necessariamente lida, que por vezes resvala no constrangedor. Sugestão: o Canto Sexto; vai com fé. O Dia da Marmota - que O Feitiço do Tempo é menos engraçado e aqui entrariamos naquela velha história de nunca, nunca, nunca usarem o título original nos filmes - pode ser visto ao menos uma vez por mês, como A Vida Marinha com Stevie Zissou, The Party e Mondovino. Mondovino inclusive mudou meu gosto por vinhos para sempre, porque me levou ao Vale do São Francisco atrás do subestimado e mais que adequado vinho daqui e me fez pirangar menos com os tintos da Borgonha, o que é um caminho sem volta, mes amis. E então veio o delirante (pra quem lê, e esse é o mais caro adjetivo que me vem à cabeça no momento) O Connaisseur Acidental, de Lawrence Osborne, que é o melhor livro do mundo, e é sobre vinhos. Se Mondovino pode ser atacado com o burro argumento de parecer coisa de Michael Moore (não vi e não gostei dos filmes deste cara, mas acusá-lo de imparcialidade - como se isto fosse acusação cabível em quem faz ou mesmo quem tangencia arte - é a) platitude monstra ou b) escrotice sem par), o mesmo não pode ser dito sobre o artigo raro de legítima ironia que é o livro do inglês, caba arguto, finamente humorado e pudim de cana, como convém a quem escreve sobre uma bebida de vida e caráter imprevisíveis, indigna de análises sistemáticas, indigna dos chatos que costumam bebê-la, o que naturalmente me faz tomar muita cerveja neste verão. Sorria, meu bem, sorria. Há exatos doze meses esqueço seguidamente de lhe recomendar a leitura na rede (de deitar, não esta aqui) dos dois volumes de Mate-me, Por Favor, construído integralmente com depoimentos de pessoas que conviveram com Lou Reed, Nico, John Cale, Jim Morrison, Andy Wharol, Iggy Pop, os Stooges, o MC5, os New York Dolls (em especial Johnny Thunders), Joey, Johnny, Dee Dee, Marky e Tommy Ramone, Tom Verlaine e Richard Loyd, Patti Smith, Steve Bators, aquele cara, aquele poeta que morava no Chelsea Hotel, o cabeludo, como é o nome dele, ah, caralho... Google... Não precisei: Jim Carrol. Além de depoimentos dos próprios roquistas. Enfim, todos os envolvidos com o que viria a ser conhecido depois como Punk, que - engraçado, veja só - morreu mais ou menos quando surgiu pro resto do mundo, ou seja, nos primeiros acordes radiofônicos de God Save The Queen. Quase esqueço: ENCONTREI MIÚDOS METAFÍSICOS NA LIVRARIA CULTURA! E baratinho, hahaha. A capa mistura Edward Hopper e Roy Lichtenstein... Será o benedito? Digo-lhe que Dapieve tinha um blog legal antes de todo mundo: essa mania meio forçada que a gente tem de oscilar entre o pop e o erudito com graça e desenrolação é lindamente lavrada em pedras escriturais post a post, digo coluna a coluna pelo mestre carioca. A contracapa se vangloria de compactar Roland Barthes, The Smiths e Romário num mesmo texto, desentendendo em que ano estamos (calma lá, o livro foi publicado em 1999). Preciso cortar as unhas, volto já. ;o)


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